segunda-feira, 4 de junho de 2012

A magia da lua

Hoje decidi esquecer os ponteiros. Sem a neurose do horário ou a pressa de chegar ao trabalho, saí caminhando pelo silêncio da madrugada. Escolhi o caminho mais longo até o transporte de sempre, só pelo prazer de esticar o tempo.

Quando alcancei a orla, dei de cara com ela, suspensa no céu: imensa, amarela, a própria lua de Luiza, aquela que Tom Jobim eternizou. Flutuava mansa sobre o mar, emoldurada pelas estrelas e pelas luzes distantes da cidade - coadjuvantes discretos que pareciam estar ali só para aplaudir o espetáculo.

Segui caminhando e namorando aquela vista. O sussurro das ondas desmanchando na areia era a trilha sonora exata para aquela pintura ao vivo.

Até pensei em puxar o celular do bolso, mas desisti. Lente nenhuma daria conta do recado. A fotografia seria apenas um registro frio; nunca guardaria o arrepio daquele momento.

Fiquei pensando nos casais, nos eternos apaixonados que passam o ano inteiro esperando por uma única data no calendário para celebrar o amor. Que desperdício. Se eles soubessem, veriam que a natureza refaz esse cenário de cinema todo mês, de graça, na calçada de qualquer madrugada.